Arquivo do mês: abril 2013

O lápis e o apontador

Quando pesquisava um nome para este blog, encontrei na internet um artigo que chamou minha atenção porque tinha tudo a ver com a proposta deste espaço. Além da adequação do título, o conteúdo é um ótimo convite à reflexão sobre nossas rotinas e nossas responsabilidades de pais e educadores.

Quero compartilhar com vocês este texto escrito pelo prof. Dr. Genésio Zeferino da Silva Filho, que já foi padre e hoje desempenha outras funções acadêmicas.

lapis

O lápis e o apontador

“Estamos no tempo do computador, mas gosto de, às vezes escrever com lápis. É uma sensação diferente. Você vê não apenas o que escreveu, mas também sua letra, de seu jeito próprio. Não sei por que, mas sempre gostei daquela cor cinza da escrita do lápis.

Outro dia estava escrevendo. Percebi que o lápis estava falhando, não estava escrevendo direito. Peguei um apontador que tenho e que guardo comigo há bastante tempo, e, com poucos giros, o lápis estava pronto para escrever de novo. Um pouco menor do que antes, mas pronto para escrever.

Enquanto apontava o lápis, fiquei observando. Na vida da gente também é assim. Depois de algum tempo, é preciso apontar o lápis. Vivemos as preocupações do dia a dia, as muitas atividades, o cansaço, a rotina, e eles vão fazendo com que o lápis de nossa vida vá ficando rombudo, já não escrevendo bem nossa história. É hora de passar pelo apontador.

São os muitos os apontadores que podemos usar: um dia de descanso, um final de semana com quem gostamos uma noite bem dormida, um papo aberto e sincero com um amigo, um abraço desinteressado, um aconselhamento com alguém mais experiente, um momento de oração, de encontro pessoal com Deus e com nós mesmos, a leitura de um bom livro, um bom filme, um dia de retiro, um mês de férias, um curso de atualização… São muitas as oportunidades.

Passar pelo apontador não deve ter sido agradável para o lápis. Afinal, para que a ponta ficasse evidente e apropriada para escrita, ele teve que se deixar cortar. E deixou-se cortar na “carne”. Mas, não tinha outra saída: ou enfrentava o apontador ou não podia mais desempenhar sua função de escrever. Um lápis sem ponta é incompleto. Não serve para nada. É apenas um enfeite.

Penso que, muitas vezes, somos mais medrosos ou covardes do que o lápis. Quantas vezes sentimos que estamos perdendo a capacidade de escrever por causa da rotina, pelo desleixo, pela acomodação, pelo não-atualização, pelo descuido das pequenas coisas, mas não temos coragem de enfrentar o apontador e nos refazer? Acho que temos medo, porque sabemos que afiar a ponta significa, quase sempre, cortar excessos, aparar o que está sobrando e dificultando, retomar caminhos, abandonar atitudes e vícios, às vezes, já arraigados, mudar comportamentos, olhar em outras direções, pedir desculpas, superar o egoísmo, o narcisismo, perdoar… E isso é muito difícil.

Mas voltemos a história do lápis e de apontador. Ao passar pelo apontador, o lápis foi cortado em sua parte externa, mais também em seu interior. O carvão interno também foi modelado, renovado. Para que a escrita fique perfeita, a ponta precisa ser feita por inteiro. O mesmo acontece conosco. Ou apontamos nosso lápis e refazemos nossa capacidade de escrever história, deixando-nos modelar externa internamente, ou seremos como um lápis sem ponta, sem utilidade, sem significado.

Estamos recomeçando um novo tempo. É hora de escrevermos uma nova história. Que tenhamos bem apontado nosso lápis”. (Genésio Zeferino da Silva Filho)

E você, o que pensa a respeito?

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Livro infantil: como incentivar a leitura

Histórias encantam

Histórias encantam

Contar uma boa história ou ler um livro são ótimas opções para aproveitar melhor o tempo com as crianças. Seja na hora da soneca ou naquele momento em que não estamos com muita disposição para correr e brincar com elas. Duas coisas são importantes para que este momento se torne melhor: escolher um bom livro e estar num ambiente bem agradável.

A criança deve ter contato com o livro antes mesmo de aprender a ler. Hoje em dia há muitas publicações bem elaboradas, que facilitam o manuseio pelos pequenos. São livros interativos, muito ilustrados, próprios  para o banho, para pintar, para completar a história, de diversos materiais que estimulam a sensibilidade da criança.

A literatura nos aproxima de um mundo mágico e maravilhoso. E ninguém melhor do Ana Maria Machado para falar sobre o assunto. Autora vários livros infantis e presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), a chamada “Casa de Machado de Assis” em homenagem ao grande escritor.

  • Como incentivar o gosto pela leitura em crianças que estão começando a ter contato com a linguagem escrita?

Eu diria que o mais importante é que os adultos que cuidam dessas crianças sempre contem histórias para elas, lendo, com um livro na mão e mostrando as figuras. E, depois, deixem a garotada folhear os livros. Ler é gostoso demais.

Por isso, é natural que as pessoas gostem. Basta dar uma chance para que isto aconteça. Ninguém é obrigado a gostar, de cara. Tem de ler dois, três títulos, até encontrar um que nos desperte. No caso da criança, dois fatores contribuem para esse interesse: curiosidade e exemplo. Assim, é fundamental o adulto mostrar interesse.

É preciso, também, que a escola estimule. O peso da escola é muito maior aqui do que nos países mais desenvolvidos, onde as pessoas leem mais. Como ainda não somos uma sociedade leitora, não podemos esperar que o exemplo venha de casa. Ou acabaremos condenando as futuras gerações a também não ler.

  • O que caracteriza um bom livro infantil? Como escolher entre tantos títulos?

Em primeiro lugar, o professor nunca deve indicar algo que não tenha lido. Nem algo que, tendo lido, não lhe tenha agradado.

Como referência, sugiro que se conheçam os catálogos das editoras, os rankings dos prêmios e as listas de seleções feitas anualmente pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, que são muito confiáveis e variadas.

Com tudo isso em mãos, é só começar a fuçar nas bibliotecas.

  • Com base em sua experiência em sala de aula e também como criadora de histórias, o que mudou na relação escritor-leitor?

Não acredito que alguma coisa tenha mudado nessa relação.

O verdadeiro leitor ainda quer mergulhar no livro que o atrai e completa, e se afastar do livro ,que não lhe diz nada.

O encontro com o autor, para um leitor, não é um instante de curiosidade diante de uma celebridade, mas o diálogo com um espírito com quem tem afinidade. Isso não muda.

Em sala de aula, o que pode ter mudado são as técnicas pedagógicas, mas disso eu não entendo.

Visite o site da escritora http://www.anamariamachado.com

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Formação do profissional de Educação Infantil

Profissional deve curso normal ou ensino médio com formação em Educação Infantil

Profissional deve ter curso normal ou ensino médio com formação em Educação Infantil

Vocês sabem qual é a formação dos profissionais que atendem seus filhos nas creches e pré-escolas? Quando visitamos uma escola prestamos atenção em vários detalhes, como higiene e acomodações, fazemos várias perguntas, procuramos referências com pessoas conhecidas, tentamos entender o que é a proposta pedagógica, etc. No entanto, poucas vezes procuramos saber sobre os profissionais que estarão diariamente com nossos filhos.
A lei exige o ensino médio completo, com formação específica para a Educação Infantil, mas há um forte movimento para que a escolaridade passe para o nível superior e ocorra uma unificação do nome para esses profissionais: professor de Educação Infantil. Hoje em dia há várias nomenclaturas: auxiliar de creche, de berçário, auxiliar de recreação, pajem, entre outros, e diversas formações.
A situação parece fácil, mas não é. Como o atendimento à criança desta faixa etária é muito especial pois baseia-se nas relações educativas, ao contratar um profissional, as escolas levam em consideração outros fatores, além da escolaridade. Gostar de criança, ter iniciativa, ser paciente, ter boa postura, ser responsável e ter disciplina são critérios subjetivos muito observados além do currículo.
Como está a formação dos profissionais para a Educação Infantil no país é tema para outro post, mas podemos dizer que apesar dos avanços nos últimos anos ainda há um longo caminho a ser percorrido. O fato de que só mais recentemente as universidades adaptaram seus currículos para adequar-se a esta formação já sinaliza como está a situação.

Para educadores, qualificação é importante
A pré-escola é a fase mais importante da vida do ser humano. Portanto a qualificação dos profissionais que trabalham nessa etapa da vida das crianças tem que ser a melhor. É preciso ter alguém qualificado para lidar com essas crianças. A criança está muito apta a aprender, a absorver e a formar bons hábitos. Ela ainda não se expressa com clareza e precisa ter pessoas que a compreendam, que a entendem e que a tratem bem.Nessa fase as crianças precisam de cuidados especiais, de maior atenção. É inegável a evolução do ser humano, a gente percebe muito bem a evolução quando vê crianças nessa faixa de idade da educação infantil ou da pré-escola já com tanta iniciativa, com tanta ânsia de aprender e, muitas vezes, com respostas a dar. As crianças são muito espertas, atentas, vivas e avançadas. Eu acho que as escolas precisam estar mais preparadas, e nós vamos precisar disso porque com a globalização, por exemplo, não vamos poder ter escolas que não ensinem desde pequeno outras línguas para as crianças.”

Teresinha Machado – Presidente da União dos Professores Públicos no Estado (Uppes)

“Em Educação, independentemente do segmento, é importante uma boa formação acadêmica. Embora a legislação permita que nesta fase inicial os profissionais tenham o normal com formação específica para a Educação Infantil, a maioria das escolas está preferindo empregar quem possui formação superior. As universidades, por sua vez, também se adaptaram a esta nova realidade e passaram a incluir em seus currículos a Educação Infantil, o que não existia até algum tempo atrás. Dados apresentados pelo censo já sinalizam esta tendência de qualificação no segmento, embora ainda não seja obrigatória.

No caso da Educação Infantil, outra característica importante a ser observada é o cuidar. O olhar do profissional da Educação Infantil é diferente. O olhar atento e o atendimento quase que individualizado são importantes. A seleção para Berçário 1 e Berçário 2 requer muito cuidado, pois é difícil encontrar mão de obra qualificada, ou seja, que tenha, ao mesmo tempo, este olhar especial para o atendimento de bebês de um ano, um ano e meio, e a formação pedagógica desejada. Por isso, as escolas valorizam muito aqueles profissionais que já trabalhavam antes da implantação da LDB e, embora não tenham formação acadêmica, possuem este olhar diferenciado e experiência na rotina de um berçário, de uma pré-escola”

Marina Loureiro Barreto – presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil (Asbrei)

E para você, o que é mais importante para o profissional de Educação Infantil?

 

 

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Ensino obrigatório a partir dos 04 anos

Criança deve entrar na escola aos 04 anos

Diante de tanta correria do dia a dia, muitos pais não devem ter prestado atenção a uma informação importante divulgada há poucos dias. A partir de agora, ou melhor desde o dia 4 de abril de 2013, está em vigor a lei que torna obrigatório o ensino a partir dos 04 anos de idade. Antes era a partir dos 06 anos.

No cenário educacional atual o impacto maior será na rede pública de ensino, que precisará abrir vagas na educação infantil, contratar funcionários capacitados, etc. Já a rede privada de ensino não sentirá tanto a regulamentação, uma vez que já atende normalmente  nesta faixa etária.

De qualquer forma, é um ponto positivo para a Educação Infantil porque este segmento de ensino ganha importância no Ensino Fundamental. para especialistas em Educação, quanto melhor preparada – ou estimulada – a criança estiver ao chegar à Educação Infantil, melhor o aprendizado. E isso vai repercutir em toda a vida escolar do aluno.

Sabemos que esse trabalho não é exclusivo da escola. A participação dos pais na formação da criança, em todos os aspectos, é fundamental para a construção de valores e a conscientização sobre seu papel no mundo.

Portanto, pais, não vamos perder nenhuma oportunidade de deixar claro para nossos filhos, com gestos, palavras e exemplos, o mundo que queremos para eles. Precisamos zelar pela formação deles, inclusive cobrando das escolas e dos educadores, mais jamais deixando de marcar a nossa presença.

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