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O buraco e o vazio

 A convivência com as crianças é sempre muito rica porque elas nos fazem perguntas, que, às vezes, ficamos confusos para respondê-las. De certa forma, ficamos surpresos porque não estamos habituados a pensar nas coisas simples. Nossa mente, vive ocupada.

Neste post, quero compartilhar com vocês outro artigo do professor Genésio Zeferino da Silva Filho. Se quiser ler o anterior, basta clicar em O lápis e o apontador.

Crianças tentam entender o sentido de vazio no buraco

Crianças observam o buraco

O buraco e o vazio 

* Genésio Zeferino da Silva Filho

Certa vez estava falando para um grupo de crianças sobre o futuro, sobre o amanhã, uma delas, Janaina, me perguntou:

– O que é um buraco? As crianças são assim, fazem perguntas que parecem não ter nada a ver com o assunto. Eu não entendi muito o porque da pergunta, mas tentei responder: – um buraco existe quando a gente tira alguma coisa e não recoloca nada no lugar. O buraco é um vazio. E a menina continuou: – e isso é perigoso, não é? Eu, com o intuito de ficar livre da pergunta, respondi que sim. Um buraco pode representar um perigo!

Confesso que não dei muita importância naquele momento, mas na verdade, as duas perguntas de Janaina não me saíam da cabeça. Ficava me perguntando, por que ela estava preocupada com aquilo. À noite, me pus a pensar. E fui descobrindo que aquela criança tinha razão – as crianças quase sempre têm razão, talvez, justamente porque não desenvolveram ainda toda a capacidade de racionalização, de criar desculpas, de inventar outras razões para as coisas. Fui pensando e fui descobrindo que um buraco é ausência, é a presença do nada. E isso, como intuiu Janaina, é terrivelmente perigoso. O vazio mata! Se você tem dúvidas, pergunte aos psicólogos e psiquiatras!

Pensei no estresse, na depressão. O primeiro acontece quando você vai tirando, tirando, doando, doando e não repõe. Vai criando um vazio, até o momento em que sente que não tem mais nada pra dar. Sente-se impotente, esgotado.

A depressão é o vazio de sentido, é um tremendo buraco que se abriu dentro de nosso coração, de nossa alma. Por isso, o deprimido não tem vontade pra nada, não tem força pra sair da depressão, sozinho. Para ele, a vida ficou sem sentido.

A ociosidade é outro vazio, um terrível buraco. É mais ou menos como uma casa abandonada. Logo vêem morcegos, ratos, baratas e tomam posse dela. Uma mente vazia, abandonada de sentido é morada privilegiada dos maus pensamentos, dos desejos descontrolados, das maquinações que chegam sorrateiramente e dela se apossam.

Trabalho, amizades sadias, esportes, estudo, atividades de doação (voluntárias) são alguns exemplos de estratégias que podemos utilizar para evitar o vazio, ou para preencher o buraco que, às vezes, está se formando dentro de nós. Enquanto ele é pequeno, é fácil ser recoberto. Quando ele se torna grande, vai ser preciso muito mais ferramentas, mais esforço, mais ingredientes. Olhemos o que acontece com uma ferida em nosso corpo. Quando é pequena, se curada, quase não deixa cicatriz. Quando é grande, às vezes, nem mesmo um enxerto a preenche totalmente.

Eu o convido a ver e analisar se, por acaso, existe algum buraco se formando dentro de você. Se a resposta é sim, o que tem feito para preenchê-lo ou para evitar que ele se aprofunde? E o que tem feito para ajudar os outros nessa mesma tarefa?

* Genésio Zeferino da Silva Filho é reitor da Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTE) e membro da União Brasileira de Educação e Cultura (Ubec)

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Formação do profissional de Educação Infantil

Profissional deve curso normal ou ensino médio com formação em Educação Infantil

Profissional deve ter curso normal ou ensino médio com formação em Educação Infantil

Vocês sabem qual é a formação dos profissionais que atendem seus filhos nas creches e pré-escolas? Quando visitamos uma escola prestamos atenção em vários detalhes, como higiene e acomodações, fazemos várias perguntas, procuramos referências com pessoas conhecidas, tentamos entender o que é a proposta pedagógica, etc. No entanto, poucas vezes procuramos saber sobre os profissionais que estarão diariamente com nossos filhos.
A lei exige o ensino médio completo, com formação específica para a Educação Infantil, mas há um forte movimento para que a escolaridade passe para o nível superior e ocorra uma unificação do nome para esses profissionais: professor de Educação Infantil. Hoje em dia há várias nomenclaturas: auxiliar de creche, de berçário, auxiliar de recreação, pajem, entre outros, e diversas formações.
A situação parece fácil, mas não é. Como o atendimento à criança desta faixa etária é muito especial pois baseia-se nas relações educativas, ao contratar um profissional, as escolas levam em consideração outros fatores, além da escolaridade. Gostar de criança, ter iniciativa, ser paciente, ter boa postura, ser responsável e ter disciplina são critérios subjetivos muito observados além do currículo.
Como está a formação dos profissionais para a Educação Infantil no país é tema para outro post, mas podemos dizer que apesar dos avanços nos últimos anos ainda há um longo caminho a ser percorrido. O fato de que só mais recentemente as universidades adaptaram seus currículos para adequar-se a esta formação já sinaliza como está a situação.

Para educadores, qualificação é importante
A pré-escola é a fase mais importante da vida do ser humano. Portanto a qualificação dos profissionais que trabalham nessa etapa da vida das crianças tem que ser a melhor. É preciso ter alguém qualificado para lidar com essas crianças. A criança está muito apta a aprender, a absorver e a formar bons hábitos. Ela ainda não se expressa com clareza e precisa ter pessoas que a compreendam, que a entendem e que a tratem bem.Nessa fase as crianças precisam de cuidados especiais, de maior atenção. É inegável a evolução do ser humano, a gente percebe muito bem a evolução quando vê crianças nessa faixa de idade da educação infantil ou da pré-escola já com tanta iniciativa, com tanta ânsia de aprender e, muitas vezes, com respostas a dar. As crianças são muito espertas, atentas, vivas e avançadas. Eu acho que as escolas precisam estar mais preparadas, e nós vamos precisar disso porque com a globalização, por exemplo, não vamos poder ter escolas que não ensinem desde pequeno outras línguas para as crianças.”

Teresinha Machado – Presidente da União dos Professores Públicos no Estado (Uppes)

“Em Educação, independentemente do segmento, é importante uma boa formação acadêmica. Embora a legislação permita que nesta fase inicial os profissionais tenham o normal com formação específica para a Educação Infantil, a maioria das escolas está preferindo empregar quem possui formação superior. As universidades, por sua vez, também se adaptaram a esta nova realidade e passaram a incluir em seus currículos a Educação Infantil, o que não existia até algum tempo atrás. Dados apresentados pelo censo já sinalizam esta tendência de qualificação no segmento, embora ainda não seja obrigatória.

No caso da Educação Infantil, outra característica importante a ser observada é o cuidar. O olhar do profissional da Educação Infantil é diferente. O olhar atento e o atendimento quase que individualizado são importantes. A seleção para Berçário 1 e Berçário 2 requer muito cuidado, pois é difícil encontrar mão de obra qualificada, ou seja, que tenha, ao mesmo tempo, este olhar especial para o atendimento de bebês de um ano, um ano e meio, e a formação pedagógica desejada. Por isso, as escolas valorizam muito aqueles profissionais que já trabalhavam antes da implantação da LDB e, embora não tenham formação acadêmica, possuem este olhar diferenciado e experiência na rotina de um berçário, de uma pré-escola”

Marina Loureiro Barreto – presidente da Associação Brasileira de Educação Infantil (Asbrei)

E para você, o que é mais importante para o profissional de Educação Infantil?

 

 

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Ensino obrigatório a partir dos 04 anos

Criança deve entrar na escola aos 04 anos

Diante de tanta correria do dia a dia, muitos pais não devem ter prestado atenção a uma informação importante divulgada há poucos dias. A partir de agora, ou melhor desde o dia 4 de abril de 2013, está em vigor a lei que torna obrigatório o ensino a partir dos 04 anos de idade. Antes era a partir dos 06 anos.

No cenário educacional atual o impacto maior será na rede pública de ensino, que precisará abrir vagas na educação infantil, contratar funcionários capacitados, etc. Já a rede privada de ensino não sentirá tanto a regulamentação, uma vez que já atende normalmente  nesta faixa etária.

De qualquer forma, é um ponto positivo para a Educação Infantil porque este segmento de ensino ganha importância no Ensino Fundamental. para especialistas em Educação, quanto melhor preparada – ou estimulada – a criança estiver ao chegar à Educação Infantil, melhor o aprendizado. E isso vai repercutir em toda a vida escolar do aluno.

Sabemos que esse trabalho não é exclusivo da escola. A participação dos pais na formação da criança, em todos os aspectos, é fundamental para a construção de valores e a conscientização sobre seu papel no mundo.

Portanto, pais, não vamos perder nenhuma oportunidade de deixar claro para nossos filhos, com gestos, palavras e exemplos, o mundo que queremos para eles. Precisamos zelar pela formação deles, inclusive cobrando das escolas e dos educadores, mais jamais deixando de marcar a nossa presença.

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